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Na foto Marcelo, representando a Vila do Artesão no IV Encontro Mineiro de Artesanato

A Vila do Artesão participou no início de agosto, como empresa Âncora do Sebrae-MG, do IV Encontro Mineiro de Artesanato promovida na cidade mineira de Uberaba. Convidados para manter contato com artesãos e fornecedores de todo o estado, durante a Rodada de Negócios do Sebrae, tivemos oportunidade também de trocar experiências com compradores do mercado externo que nos falaram da aceitação das peças brasileiras na Europa e nos EUA.

O IV Encontro é o evento que lança o catálogo patrocinado pelo Sebrae, que divulga a produção artesanal de 67 municípios mineiros, e é responsável por negócios em torno de R$1 milhão de reais por ano. Em português, inglês e espanhol, o catálogo é ricamente ilustrado.

Muitos bons contatos mantidos, também trouxemos para João Pessoa várias novidades em cerâmica de altaSimone Oliveira participa do catálogo temperatura e tecelagem, com peças de extremo bom gosto e qualidade, além dos lançamentos de Simone Oliveira para luminárias feitas com filtro de café reciclado. Convidamos todos para vir até o nosso espaço conhecer um pouco mais do que Minas Gerais tem a oferecer aos admiradores do artesanato brasileiro.

Mestre Valentim e suas criações

Nascido em 1940 na cidade de Patos, o menino que passou grandes dificuldades na infância, ajudando o pai na roça e sobrevivendo às maiores secas já registradas no sertão, ingressaria no ramo da marcenaria aos 15 anos seguindo os passos dos irmãos mais velhos. Como ajudante de marceneiro aprendeu a fazer suas primeiras peças, que vendia de porta em porta. A busca por mais capacitação profissional o trouxe para João Pessoa onde se estabeleceu como marceneiro de qualidade. Mas foi só em 1997 que Mestre Valentim, num momento de inspiração, decidiu enveredar por uma técnica nova, e dessa experiência saiu sua primeiraEsferas marchetadas em madeira maciça esfera de madeira maciça, que pela beleza lhe deu o título de Mestre, um mestre na marchetaria.

Hoje Mestre Valentim já cruzou fronteiras. Visitantes que chegam à Paraíba vindos de outros países ficam encantados com seu trabalho primoroso e dessa forma suas peças vão partindo para outros continentes. E isso sem mencionar os famosos como Bill Gates, que possui uma peça sua, presente do Governador Cássio Cunha Lima.

Mestre Valentim fica muito emocionado quando conta como sua arte têm sido reconhecida nos meios de comunicação por pessoas como Ana Maria Braga e Hebe Camargo, pois nessas horas diz lembrar-se das imensas dificuldades que viveu até a juventude. Mas se você quiser deixá-lo feliz, vá visitá-lo em seu atelier. Mestre Valentim gosta muito de receber visitantes que queiram conhecer sua história e seu trabalho. O endereço e outras informações você encontra no site dele http://mestrevalentim.v10.com.br/

Foto: Site de Mestre Valentim/Divulgação

As formas da marcheteria

Bem resumidamente, a marchetaria pode ser dividida em três formas importantes: intarsia, marchetaria propriamente dita, e paquet.

Vasos em marchetaria de Mestre ValentimA Intarsia usa pedaços de madeira de 3 mm em média, mas pode-se encontrar marchetaria com toquinhos de até mais de 10 mm. Com a combinação de cores de madeiras de qualidades diferentes além de texturas e espessuras, essa é a técnica da marchetaria tridimensional usada para objetos como jóias, por exemplo.

A forma paquet par paquet usa madeiras sempre da mesma espessura, alternando apenas a cor. É a técnica mais utilizada na decoração, tanto em pisos como em tetos. Bandeja em marchetaria de Mestre Valentim

E a marchetaria propriamente dita trabalha com laminados muito finos, normalmente com 1mm de espessura e se adapta a outros tipos de material além da madeira. Usa-se essa forma para decorar móveis e objetos como caixas, bandejas e outros utilitários.

Fotos: Site de Mestre Valentim

Imagine uma superfície plana, lisa, sobre a qual você cria um motivo decorativo usando para isso pequenos pedaços do próprio material do qual essa superfície é feita. Isso é marchetaria.

Marchetaria na Igreja do Espírito Santo em Turon

Na verdade é mais complexo que isso. O termo marchetaria vem do francês marqueter, que significa embutir. O material escolhido é recortado e incrustado sobre uma superfície lisa. Pode-se fazer marchetaria usando pedra, metal, palha, plásticos, mas a técnica mais conhecida usa a madeira tanto como o material a ser recortado como a superfície a ser trabalhada.

A peça de marchetaria mais antiga data de 3000 a.c., e é uma bacia em pedra calcária que foi encontrada no que seria a Mesopotâmia. Já a arte da marchetaria em madeira fazia parte da cultura egípcia. Peças ricamente incrustadas de madeira e pedras preciosas foram encontradas no túmulo de Tutankhamon. A marchetaria como meio de expressão artística foi quase esquecida com o Império Romano, e só voltou a ser valorizada no século XV por intermédio da Escola Florentina de Arte, em Florença, Itália. A partir daí suas técnicas foram sendo aprimoradas e hoje em dia existem muitos atelieres especializados em cultivar a arte.

Aqui no Brasil, um dos grandes nomes da marchetaria é do paraibano Fernando Valentim. Mestre na marchetaria em madeira maciça, seu trabalho já cruzou oceanos. Vamos falar dele mais adiante.

Vista da Praia de Cabo Branco ao anoitecer

Sempre falamos da beleza das ensolaradas praias urbanas de João Pessoa, falamos muito também das praias do litoral sul, e esquecemos do quanto a noite é bela e inspiradora. Está aí uma amostra de como esse céu é lindo também ao entardecer assim como a cidade quando começa a se iluminar para a noite.

A foto foi feita no final da avenida onde começamos a subir para o Farol.

Foto: Marcelo Pereto

A madeira e os mestres santeiros

Detalhe da imagem de São Francisco

Dizem que a madeira é viva, mesmo depois da árvore ter secado ou ter sido cortada. Com certeza podemos visualizar bem a vida que há num pedaço de madeira depois dela ter passado pelas mãos de um mestre artesão, um entalhador. A arte esculpida na madeira, nesse caso, eterniza o mestre, dá à ele vida além da sua vida. Os mestres santeiros que através de suas peças tocam profundamente o espírito dos fiéis são exemplo da vida que se tira da madeira. Um grande nome da escultura de santos aqui na Paraíba é da Mestra Paulina São José por José DinizDiniz. Nascida em Lagoa Seca deixou seu legado em obras reconhecidas pela qualidade e também no talento passado aos seus muitos filhos. Um deles, José Diniz, que hoje reside em Cabaceiras, continua o trabalho de sua mãe criando além dos santos, imagens do sertanejo nordestino. Roceiro com Gerimum na Cabeça, de José Diniz

E assim vai se mantendo a cultura de um povo que sem ter frequentado escolas de arte conseguem tocar o coração das pessoas através da singeleza de suas obras.

Peças desses artesãos estão disponíveis no site da Vila do Artesão.

Fotos: Marcelo Pereto

O trabalho de entalhar a madeira

Já falamos muito nisso por aqui, que o “fazer artesanal” tem origem nas necessidades diárias do homem e por isso existe desde que o homem existe. Assim tem sido também com as peças cuja matéria-prima é a madeira. Exemplos importantes desse uso são a própria casa, seus móveis, utensílios domésticos e profissionais, o carro de boi e a roda de fiar. Da madeira também vieram os instrumentos musicais como a flauta e a rabeca, peças destinadas ao lazer, assim como bonecos e outros brinquedos. Outro uso importante que já relatei pra vocês é ligado à tipografia, com o cordel e a xilogravura. Aqui no Brasil a arte em madeira foi introduzida pelos portugueses que valorizaram as igrejas com seus entalhes em estilo barroco. A partir daí as imagens religiosas e os objetos lúdicos e decorativos passam a ter maior valor e hoje são expressão importante da cultura nacional.

Trabalhando com madeira temos 5 grande grupos de artesãos: santos e esculturas, móveis e objetos de decoração(entre eles a marchetaria), instrumentos musicais, construções e carpintaria naval, utilitários. Em todos os grupos hoje tornou-se necessária e urgente uma política educativa, para que a retirada de madeira da mata respeite as leis de preservação, até para garantir que os próprios artesãos tenham disponível matéria-prima para seu sustento.

Candidatos, respeitem seus eleitores

Começam as campanhas eleitorais e nós eleitores começamos o nosso calvário. O que podemos esperar de nossos candidatos depois de eleitos, se durante as campanhas eles já nos desrespeitam? A minha reclamação, e tenho certeza que a de muitos, é em relação aos carros de som e os seus jingles em volumes ensurdecedores. Não tenho nada contra as musiquinhas animadas que divulgam nomes e números (apesar de considerar o seu resultado insignificante quando se trata de conquistar um voto), mas fico extremamente irritada quando um desses carros de som me impede de ouvir o que diz um dos meus visitantes, atender uma pessoa ao telefone ou simplesmente trabalhar em paz. Imagino o que pensam as pessoas que descansam em suas casas aos Domingos. Com certeza devem ter bem claros os nomes daqueles que não receberão os seus votos. Assim como o meu.

Candidatos, vocês e suas equipes são os responsáveis pela campanha, portanto esperamos de vocês um comportamento mais evoluído. Pra começar.

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