A arte popular brasileira está de luto - morreu Ana das Carrancas
1 de outubro de 2008 por Cris
Ana Leopoldina dos Santos vivia uma fase difícil quando resolveu ir pra Petrolina, Pernambuco. Ali na beira do Rio São Francisco rogou proteção à esse santo e a Padre Cícero. Precisava de uma fonte de renda para dar sustento às suas filhas. E foi ali, na beira daquele rio, que Ana Leopoldina olhou para os barcos que aportavam, adornados com suas carrancas e sentiu que esse era o caminho. Do São Francisco começou a retirar o barro que, depois de amassado pelo seu marido, era transformado pelas suas mãos nas carrancas rústicas, simples e primitivas que a tornaram a Ana das Carrancas.
O valor de Ana das Carrancas está no amor ao trabalho aprendido com a mãe e transferido também às filhas, irmãs e sobrinhas. Está no respeito pelo companheiro cego que foi homenageado nas carrancas de olhos vazados. Está no reconhecimento que recebeu pelo Brasil afora e no exterior pela qualidade estética de seu trabalho profundamente vinculada à cultura brasileira.
Adeus Ana. Pegue o seu barco com a sua bela carranca e suba esse rio que marcou a sua história e a história da arte popular brasileira.
Foto: Carvalho Pinto

