Como fotografar artesanato: fundo e composição

Como fotorafar artesanato: fundo e composição

Nosso treinamento de como fotografar artesanato está quase chegando ao fim. Nosso papo de hoje terá a ver com escolha de fundo e como fazer uma composição harmônica dos objetos na foto.

Ainda teremos uma aula sobre aplicativos de edição e dicas de mini estúdios, e ao final teremos feito um percurso bem abrangente e de modo super prático, para que você possa elevar suas fotos ao nível dos seus trabalhos. Captou?  😀 

ATENÇÃO

Mas presta bem atenção: quero que você treine suas fotos usando as dicas que ensinei nestas aulas porque sua foto poderá valer um presente incrível num desafio artístico que vou propor para você no final deste treinamento. Só foto boa, de aluno e aluna atenta, vai ter chance. Quero ver quem é que levou à sério as dicas que vimos juntos nos últimos meses.  😉 

Antes de seguir, relembre todas as aulas clicando nos botões abaixo:

 

O fundo

Então recapitulando: já aprendemos a entender nossas câmeras e smartphones, aprendemos a escolher luz corretamente, aprendemos a cuidar da nitidez dos detalhes e vamos aprender duas coisas importantes que devem ser observadas no momento de fotografar: fundos e composição.

Recebo muitas, mas muitas fotos em que o objeto principal desaparece contra um fundo confuso, misturado, cheio de informações. E muitas vezes posso perceber que a pessoa até tentou escolher algo mais bacana para fotografar, e na verdade escolheu muito mal. Por quê?

Porque escolheu como fundo condições que causam interferência.

O que costuma acontecer é que um fotógrafo iniciante, ou inexperiente, lembra de prestar atenção apenas ao objeto fotografado, esquecendo de tudo que está ao redor dele, como se nada daquilo existisse e não importasse no resultado final da fotografia.

O que acontece é que o objeto fotografado acaba sofrendo algumas interferências prejudiciais, e agora vamos exemplificar algumas delas.

Lembrando sempre que estamos fotografando seu artesanato ou para registro ou para sua loja.

Vamos fazer de conta que você adora fotos coloridas e escolheu posicionar seu objeto sobre um tecido bem alegre, que tem tudo a ver com você e que tem as cores do seu objeto. 

Você pensa: “Tá tudo combinando, vai ficar show.” E o que acontece? Veja:

Artesanatos de natal, aprenda agora

 

Objeto fotografado com interferência alta

Seu objeto se confunde totalmente com o fundo que você escolheu. Excesso de cores no fundo, excesso de informação, cores similares ao objeto, ou seja, nada funciona para destacar o objeto. Ao contrário, o fundo desvia a atenção do objeto. Resumo: não desperta interesse do observador.

Mas veja só: eu exagerei nas cores mas não no argumento. Fundos com muita informação causam mesmo desatenção no observador e mesmo que você usasse sua toalhinha de renda bege, ou uma estampa miudinha, ainda assim não seria eficiente na intenção de destacar o objeto. Vamos ver um fundo menos forte?

 

Fundo estampado miúdo, causa interferência

Olha só: a estampa agora é miudinha, com menos cores, mas ainda está desviando a atenção do objeto. Aposto que você olhou primeiro para o desenho no tecido do que para o Kusudama, não foi?

Então qual seria a opção ideal? Um fundo liso, o mais neutro possível. Veja:

 

Objeto sem interferência do fundo

Agora não tem como não olhar para o objeto, certo? Neste momento você já vai enxergar as cores, os desenhos, o volume do objeto. Resultado? A atenção do observador foi capturada.

Ok. Se você vai colocar seu objeto numa loja virtual o correto é fazer as fotos de apresentação do produto como acima. Aqui eu usei uma placa de carton mousse branco como base, que é fácil de encontrar, firme e barato para servir de fundo de fotografia. Mas pode ser EVA bem fininho e pode ser um tecido branco super mega bem passado. Não indico papel porque amassa com facilidade no manuseio, e depois de amassado nada irá disfarçar o defeito. Fique com minhas dicas e teste.

Mas digamos que você quer fazer a foto pra guardar de recordação, num álbum pessoal seu. Você não vai vender mas adorou o resultado e quer registrar pro futuro.

Aí você me diz: “Ah Cris, nem preciso disso não. Vou fotografar ali na minha mesa de trabalho mesmo. Não dá nada.” 

Você coloca seu objeto e esquece do que tem ao redor dele acreditando que não vai ter problema nenhum, e aí sua foto fica assim:

 

Fundo conflitante em fotografia

Isso é o que se chama de fundo conflitante. Num primeiro olhar pode parecer que o objeto principal da foto ganhou pontas extras, pois suas formas se misturam às formas do objeto que está atrás dele, com mais o que está atrás de tudo, causando bastante confusão.

E novamente aqui temos um excesso de informação ao redor, puxando a atenção do observador e causando interferência na atenção ao objeto principal. Então, se for para incluir outros objetos na imagem, lembre de observar bem a foto pronta e refaze-la em caso deste tipo de erro.

O que acontece é comum. Ao olharmos pelo visor da câmera ou pelo celular, focamos apenas no objeto da foto e esquecemos de avaliar todo o conteúdo que será fotografado na cena. É exercício; prestar atenção sempre e a cada vez. Combinado?

Pra não errar, isole sua peça e aí sim fotografe. Nada dos lindos enfeites da sua sala de visitas por perto, da parede com seus quadrinhos de decoração lá atrás, das cadeiras na mesa. Observe, observe e observe. Apenas observe.

 

Composição

Agora vamos pensar que você já treinou bastante, que tem observado todas as dicas dadas, cuidado com o fundo, mas vai precisar de uma foto contextualizada para uma divulgação especial do seu produto. O que é contextualizar?

Na fotografia, contextualizar significa adicionar uma situação, passar uma ideia, dar uma noção de função, informar o observador de como o seu objeto se insere na vida real, como é usado, como é valorizado, e em que condições.

É fazer de conta que ele está onde deve estar, criar uma cena, ambientar num espaço e num momento específico. Mas como é que fica isso tudo já que vai ter outros objetos fazendo parte desta imagem?

Vamos voltar um pouco lá atrás na história da composição. 

Talvez você já tenha percebido que algumas fotos agradam ao olhar mais facilmente que outras, mesmo quando são do mesmo objeto. Este equilíbrio harmônico tem a ver com uma proporção de posicionamento da imagem que vem lá da proporção áurea e que nos causa conforto visual naturalmente.

A proporção áurea é uma constante matemática que é extremamente explorada nas artes em geral, e ficaria longo falar dela agora. Por isso se você quiser ler mais a respeito, eu indico este texto aqui: O que é a proporção áurea?

Para nós é interessante saber que esta proporção é observada no corpo humano, na natureza como um todo e em todo tipo de arte e na arquitetura. Da proporção áurea vem a proposta da regra dos terços na composição das imagens. Divida a imagem em 3, horizontalmente e verticalmente, e terá os terços.

Tanto é importante, que os smartphones e câmeras já trazem a função de grade na imagem justamente pra nos ajudar a posicionar os objetos nos pontos ideais.

Então anote: os pontos ideais de posicionamento são justamente onde as grades dos terços se encontram ou, se isso não for possível, ao longo destas linhas.

Vamos ver duas situações, primeiro a errada:

 

Composição errada

Meu objeto principal está deslocado do ponto onde as linhas se encontram, e do lado oposto, nada ocupa o outro ponto de cruzamento das linhas. E você olha a imagem e vê isso:

 

Composição fora da regra dos terços

Tipo assim: legalzinho  😐  mas não emociona.

Uma imagem que parece apenas uma foto feita sem querer.

Agora vamos reposicionar e sentir a diferença:

Composição correta

O objeto principal está com o ponto focal bem no cruzamento dos terços, e do outro lado um outro objeto está ao longo da linha. Temos este resultado:

 

Foto com posição dos terços correta

Por algum motivo esta foto é mais agradável de observar do que a outra: é a regra dos terços e seu vínculo com a proporção áurea. 

Na verdade a proporção áurea é bem mais abrangente em termos de composição e extremamente interessante. Outras pequenas regrinhas existem que tornam algumas obras imortais justamente por nos passar este equilíbrio e harmonia naturais à nossa sensibilidade.

Então, ao fazer sua foto contextualizada, você deve observar o posicionamento do seu objeto dentro desta regra dos terços. Para isso ative a função grade da sua câmera e do celular.

E não esqueça de escolher fundos e bases neutras, que não conflitem com seu objeto, mas que passem para o observador uma ideia justa de como usa-lo e dele tirar o melhor proveito.

Foi assim que fiz minha foto contextualizando o kusudama numa outra função: decorativa sobre uma mesa de home office, ao lado do porta objetos e do porta canetas. Bem simples que é para não errar.

Com o tempo vamos educando o olhar e esta composição acontecerá de modo automático, mas para isso é preciso exercitar. 

Com esta aulas encerramos as dicas do momento de fotografar. Na próxima iremos conhecer alguns dos aplicativos que ajudam na edição de fotos não muito legais e dicas para quem precisa de um mini estúdio em casa.

Já sabe: dúvidas, pergunte aí nos comentários 😀

Fotos: Marcelo Pereto

 

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6 Respostas para: Como fotografar artesanato: fundo e composição

  1. Heloisa Amado 21 de novembro de 2016 at 12:02 #

    Cris, boa tarde,
    Muito interessante estas aulas de como fotografar bem nossos trabalhos. Foi muito fácil de entender e me ajudou muito. Obrigada, bjs

    • Cris Turek 21 de novembro de 2016 at 18:12 #

      Qualquer dúvida a mais pode escrever Heloisa. Beijos.

  2. Bastos 10 de outubro de 2016 at 17:46 #

    Olá,
    Achei muito legal todo o material de como fotografar artesanato. Gostaria de saber se posso reproduzi-lo no meu blog, obviamente, citando a fonte.
    Parabéns pela página.
    Abs,

    Bastos

    • Cris Turek 11 de outubro de 2016 at 17:52 #

      Bastos, não autorizamos a reprodução integral de nossos textos e eu agradeço sua compreensão. Você pode escrever um post abrangente e indicar os nossos em URLs clicáveis, assim você colabora comigo e com o blog da Vila 😉
      Obrigada.

  3. Munik Freitas 5 de outubro de 2016 at 8:54 #

    Olá Cris.
    Como sempre tenho amado as dicas, mas tenho uma pergunta.
    Como faço para mostrar parar o cliente (na foto) o tamanho da peça. Costumo colar uma tesoura ou isqueiro, mas confesso que acho muito feio.
    Abraço e GRATIDÃO.

    • Cris Turek 5 de outubro de 2016 at 13:25 #

      Munik, colocar referência de tamanho exige apenas uma foto no conjunto de fotos de apresentação. Em casos de peças pequenas eu indico uso de moeda de 1 real, que todos conhecem bem e não é um objeto tão feio. Qual é o produto que você quer referenciar?

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