Perdemos a Dama do Barro

Homenagem à Ana das Carrancas

Ana, a Dama do Barro, a artista popular mais conhecida do Rio São Francisco, está sendo velada na Câmara dos Vereadores de Petrolina e será sepultada amanhã, dia 02. Num esforço para preservar a sua arte, a Fundarpe, do governo do estado de Pernambuco, pretende incentivar o trabalho deixado por Ana através do Centro Cultural montado por ela e seus filhos na cidade de Petrolina.

Ana Leopoldina dos Santos vivia uma fase difícil quando resolveu ir pra Petrolina, Pernambuco. Ali na beira do Rio São Francisco rogou proteção à esse santo e a Padre Cícero. Precisava de uma fonte de renda para dar sustento às suas filhas. E foi ali, na beira daquele rio, que Ana Leopoldina olhou para os barcos que aportavam, adornados com suas carrancas e sentiu que esse era o caminho. Do São Francisco começou a retirar o barro que, depois de amassado pelo seu marido, era transformado pelas suas mãos nas carrancas rústicas, simples e primitivas que a tornaram a Dama do Barro.

O valor de Ana está no amor ao trabalho aprendido com a mãe e transferido também às filhas, irmãs e sobrinhas. Está no respeito pelo companheiro cego que foi homenageado nas carrancas de olhos vazados. Está no reconhecimento que recebeu pelo Brasil afora e no exterior pela qualidade estética de seu trabalho profundamente vinculada à cultura brasileira.

Adeus Ana. Pegue o seu barco com a sua bela carranca e suba esse rio que marcou a sua história e a história da arte popular brasileira.

Foto: Marcelo Pereto

Uma Resposta para: Perdemos a Dama do Barro

  1. Cláudio Nunes 30 de setembro de 2010 at 15:33 #

    É com muita tristeza que recebo esta noticia.Ana para mim sempre foi uma artista muito sensivel no processo criativo de seu trabalho “porque em suas peças ha esse caráter artísco exclusivo como havia no Mestre Galdino (Alto do Moura-Caruaru-PE)”. Ela sempre fez mais do que carrancas, imprimil nelas seus sentimentos pessoais e delas fez seu viver, como todo autentico artista trbalha.

    Com certeza Claudio, perder mentes como a de Ana, cheia de histórias e experiências, é sempre muito triste. Um abraço.

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